Dica da Semana: EDSON KAYAPÓ

Edson é kayapó e militante da causa indígena.

Possui uma página no facebook onde posta interessantes reflexões sobre os direitos dos indígenas, a relação da sociedade frente a esses direitos além de mostrar os valores da vida de seu povo.

É interessantíssimo, humano e necessário.

Já preparei muita aula com as imagens e textos feitos por ele.

Super recomendo!

Segue o endereço:https://www.facebook.com/edson.kayapo?fref=ts

Empreendedorismo, Meritocracia e a Ideologia que não incomoda

Recentemente, muitas pessoas têm se posicionado contra a divulgação de algumas ideias em escolas públicas. Em Alagoas foi aprovado um projeto liderado por deputados que querem proibir professores de expressarem ideais, principalmente se elas refletirem ideias de esquerda, como igualdade, representatividade das minorias etc. São movimentos como o Escola Sem Partido, que diz que a escola deve ser isenta de ideologias.

Ideologia pode ser definida como um sistema de ideias, algo que demonstra uma visão de mundo e projeto. Mas engana-se quem acha que apenas a esquerda tem ideologia. O sistema capitalista também tem a sua. É firmado e reafirmado todo dia no nosso trabalho, na mídia e, óbvio, nas escolas. Movimentos como este Escola Sem Partido acreditam que os valores do capitalismo é a realidade natural. Não percebem que foi construído; acreditam que o mundo é assim e fim. Desconhecem que o status quo é também uma construção.

Um exemplo gritante para mim é esta onda de aulas de empreendedorismo nas escolas de ensino fundamental e médio. Vejam só:

Crianças recebem aulas de empreendedorismo em escola de SP Atividades incluem jogos, dinâmicas e pesquisas extraclasse. ‘Vantagens são o desenvolvimento da consciência empreendedora.’

EMPREENDEDORISMO NA ESCOLA PÚBLICA: DESPERTANDO COMPETÊNCIAS, PROMOVENDO A ESPERANÇA!

Site forma professores para ensinar empreendedorismo

Escolas dão aula de empreendedorismo e ensinam crianças a abrir empresa

Se você procurar no google o que é empreendedorismo para tentar entender porque se tornou pauta, encontrará isso aqui:

  1. disposição ou capacidade de idealizar, coordenar e realizar projetos, serviços, negócios. 2.inciativa de implementar novos negócios ou mudanças em empresas já existentes, ger. com alterações que envolvem inovação e riscos.

A lógica do empreendedorismo é a mesma da meritocracia: trabalhando duro, sendo resiliente e criativo, você pode chegar lá. Acontece que o sucesso na vida, seja lá o que isso for, depende de variáveis que nem sempre se resumem a força de vontade.

Empreendedores são pessoas bem conectada com boas amizades, experiência em outras empresas e mais capacidade organizativa que visão.

Muito da ideia de empreendedorismo vem das histórias das empresas de garagem do Vale do Silício. Homens que teriam ganhado muito dinheiro após começarem seus negócios do zero#selfmademan. Em 2014 saiu uma boa reportagem no El País desconstruindo o mito desse sucesso.

Grande parte do sucesso desses empreendedores vem de suas boas conexões e amizades, aliado à segurança financeira que possuem para poder dar saltos onde ninguém antes foi capaz de ir. A lenda do sucesso do empreendedor e da meritocracia pode ser confirmada na vivência de bem-nascidos. Mas não preciso dizer que a maior parte da população mundial não faz parte desta fatia pálida da sociedade. Ou preciso?

Sabemos que há pessoas que não são bem-nascidas e conseguem superar seus condicionamentos sociais. No entanto, isso não acontece com a maioria. Nascer em uma família com dinheiro e com boas conexões não é a regra e me recuso a pensar na sociedade levando em conta apenas as suas exceções.

Independent também analisou o processo e da idolatria em relação à lógica das startups. Em tradução livre:

o traço compartilhado mais comum entre os empresários é o acesso ao dinheiro financeiro de capital de família, herança, ou um pedigree e conexões que permitem o acesso a estabilidade financeira. Embora pareça que os empresários tendem a ter uma propensão para o risco admirável, normalmente é que o acesso ao dinheiro que lhes permite assumir riscos.

Veja a complicação… Empreendedorismo sendo ensinado em escolas, muitas públicas. Um conceito banhado na ideologia capitalista da igualdade de oportunidades, que na verdade não existe. E criticam meu trabalho que busca igualdade de oportunidades, me xingando de marxista? Só lamento.

Seguimos.

Professora Invertida

DICA DA SEMANA: NÃO SOU EXPOSIÇÃO

nao sou

 

Esta página feita pela nutricionista Paola Altheia  aborda questões de autoimagem e da tortura cotidiana que é a dominação de um pensamento estético único sobre o corpo (especialmente o das mulheres).

Educadores lidam com essas questões e acredito que esta seja uma boa fonte de informação/ discussão.

Site:
https://naosouexposicao.wordpress.com/

Fb: https://m.facebook.com/Naosouexposicao

Instagram: https://www.instagram.com/naosouexposicao/

‘O que vão pensar em Pernambuco?’: O professor e seus preconceitos

Estava passeando por aí quando um amigo querido compartilha um vídeo da página Pedagogia do Oprimido.

Paulo Freire, no trecho dessa aula, reflete sobre como ele percebeu em si uma reação machista e discriminatória quando um professor da Tanzania andou de mãos dadas com ele no campus universitário daquele país. A autorreflexão que ele se propõe é chave a qualquer educador. No caso, ele se perguntou se se sentiria tão incomodado se uma mulher, ao invés de um homem, lhe tivesse dado a mão daquele jeito. 

Professores e alunos são passíveis de escrotidões machistas, racistas, xenófobas, etc.. Nascemos em uma sociedade inundada de valores que reproduzem este tipo de coisa.

O que vão pensar em Pernambuco?

O que meus pais vão pensar?

O que meus amigos vão dizer de mim? 

O que Paulo Freire, na sua experiência pessoal propõe é um profundo questionamento de condicionamentos sociais.

Se fosse uma mulher a dar as mãos comigo, eu me incomodaria?

Seu eu quisesse ser engenheiro ao invés de bailarino, será que causaria o mesmo incomodo?

Se eu namorasse uma menina branca ao invés de uma negra, será que eu iria me incomodar com a opinião dos meus amigos?

São questões de ordem pessoal que revelam muito sobre nós. Na sala dos professores eu mesma já me contestei e contestei colegas propondo questões parecidas.

Será que eu reprovaria esse aluno se ele não fosse negro?

Eu acredito que a afetividade e sexualidade das meninas influem em seu rendimento escolar. Eu penso o mesmo em relação aos meninos?

Eu diria que um aluno que vai mal nos estudos vai ser tornar  prostituta ou traficante se esse mal aluno fosse de uma escola privada?

Questionamentos que podem ser incômodos ou libertadores, dependendo da abertura que se tem para mudar, para crescer, para melhorar.

 

Professora Invertida