Festa Junina, reflexões sobre as tradições paulistas

Prometi uma segunda publicação sobre o tema de festas juninas nas escolas: como é possível – através de boas práticas – fazer deste momento algo além de publicidade, boas fotos e arrecadação de dinheiro (barracas, baby).

Acontece que a Sandra Oliveira, a querida revisora deste blog, me deu uma imensa bronca!

No post passado, chamei a atenção para o fato de fazermos festas juninas sem uma reflexão histórica da própria festa, sua evocação às tradições europeias e a maneira como o Brasil colonial e o Brasil atual se apropriaram delas. Usei como exemploas festas tipicamente nordestinas observei o fato de que nós de São Paulo ignoramos veementemente tradições daquela região do país.

Bem, estava parcialmente errada… Porque em São Paulo não tratamos de maneira superficial apenas tradições nordestinas, mas também mal conhecemos a nossa própria!

Nosso caipira, o caipira do interior paulista, a Cavalhada em São Luiz do Paraitinga, o Caiapó em Piracaia, Festa do Divino em Ibiúna, a Congada em Olímpia, a Dança de Fitas em Taubaté, a Dança de Pares no Vale do Ribeira, a Dança de Santa Cruz no Vale do Paraíba, a Dança de São Gonçalo em Tatuí, o Fandango em Capão Bonito, o Jongo em Pindamonhangaba e outras muito bem listadas neste link.

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Olha eu aqui, professora de história, dando bronca e levando bronca! rs Esqueço também das tradições paulistas e pouco trato delas em minhas aulas! São tradições advindas dos negros escravizados, de nossos indígenas e dos europeus que aqui se estabeleceram. Tradições antigas e que estão quase a desaparecer sem a gente nem saber que existiam!

Coisa feia, professora invertida!

Vejo, em São Paulo, festas inspiradas no ritmo country ou no sertanejo universitário, que é uma variação moderna das tradições rurais. A questão é que isso já se inunda em nosso cotidiano como cultura de massa (na tv, nas rádios, nos vídeos no youtube). E nós precisamos enriquecer nossos alunos e nós mesmos com outras referências culturais…

‘outras’…

Curioso eu ter escrito ‘outras’, porque, na verdade, são NOSSAS. A gente precisa conhecer o que é nosso, ensinar o que é nosso, refletir do que é nosso. E como profissionais em educação, muitas vezes estamos falhando nisso. 😦

Agora a parte boa da professora invertida: que tal na próxima festa junina, montar um projeto interdisciplinar? Que una professores de história, de artes, de português e outros para investigar as culturas tradicionais de São Paulo para apresentar uma dança diferente? Assim, a festa junina pode se tornar algo muito mais interessante do que montar barracas!

Ideias são muito bem vindas! E se sua escola fez algum projeto de Festa Junina que trabalhou danças tradicionais, conte pra gente 🙂

Professora Invertida

 

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