Proatividade é para quem pode e não para quem quer

Eu sempre rio muito alto quando aparece o discurso feito de que devemos ser inovadores e proativos. Isso porque a maior parte dos gestores são, na verdade, chefes, como chefes, exigem obediência e não pensamento, ação, inovação.

Na escola, esta relação se reproduz nos diversos diretores-chefes que se preocupam apenas com ordem, nos seus dois sentidos possíveis:

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1. relação inteligível estabelecida entre uma pluralidade de elementos; organização, estrutura.

2. série de pessoas ou coisas que se sucedem ou se dispõem umas após as outras; sucessão, fileira, renque.

Esses diretores-chefes querem alunos quietos, imóveis, sentados em fileira como plantas que usam mochila. Esses mesmo diretores-chefes pensam o papel do professor como o de cuidar do aluno-planta dentro da sala, fazendo o possível para mantê-los enfileirados, quietos e em ordem.

O diretor-chefe, claro, se vê envolto a uma realidade que não obedece à ordem alguma, pois – e fico feliz com issmarcelao – as relações entre humanos são mais caóticas do que essa botânica irreal da sala de aula ideal.

Acredito que não haja caminho possível para educação enquanto a lógica do chefe continuar a se sobrepor à vontade de construir uma escola verdadeiramente democrática. Inovação, proatividade, etc. são consequência de profissionais em educação motivados, com voz e com o sentimento de que são sim parte integrante da escola. E, claro, alunos – estudantes!- motivados, compromissados com sua formação e atuantes nas suas escolas apenas existem quando não se espera deles um comportamento, ahn, floral. 😉

Professora Invertida

 

Ah, o castigo…

Indisciplina é algo com o que professores convivem. Eu nem gosto muito da palavra indisciplina, afinal, no modelo atual nós enfileiramos milhares de crianças e adolescentes repletos de energia e criatividade. É claro que vai dar merda. Aliás, pensa no momento em que nós professores precisamos ocupar o lugar de alunos em algum curso, seminário ou mesmo conselho de classe: papo, celular, saídas frequentes para ir ao banheiro ou fumar… Tudo para nos mover e sair do desconforto físico que a sala de aula tradicional provoca.

Eu costumo diferenciar as coisas: uma coisa é bagunça que traduz energia, amizade, brincadeiras e que são próprias do período que nossos alunos vivem na vida. Outra, bem diferente, é violência.

Já vivenciei casos graves de violência escolar em que alunos se agrediam ou que alunos agrediram professores. Irei abordar em outra oportunidade isso, que é assunto corrente na sociedade, mas hoje não. Hoje vou falar o quanto um professor pode se sair ridículo na punição a um aluno que aprontou.

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Eu irei fazer melhores escolhas. Eu irei fazer melhores escolhas. Eu irei fazer melhorzzzzzzzzzzzzzz…..

Saiu na versão digital do jornal inglês Independent a seguinte reportagem:

Super-efficient six-year-old girl finds ingenious way to outsmart punishment

Menina super-eficiente de seis anos de idade encontra forma engenhosa para ser mais esperta do que a punição

Isso é tão genial que nem sei por onde começo. Isabella aprontou em sala de aula, Isabella tem 6 anos. Ela provavelmente não ameaçou ninguém de morte ou botou fogo na cortina. Ela deve ter desenhado na mesa, dado uma rasteira num colega, xingando a professora de boba.

Gente, sério, toda a vez que discuto com meus colegas de trabalho o teor das punições que a escola costuma dar aos alunos eu sempre levo um você passa a mão na cabeça do aluno. Olha, fico brava… Porque a dinâmica de sala de aula é uma bomba relógio, uma hora aquele tanto de energia concentrada explode. E eu sou uma professora adulta com 1/3 da energia daquela pirralhada toda. Pois bem, eventualmente eu tiro sim aluno de sala de aula para tentar apagar o incêndio que um aluno com liderança, inteligência e confinado num ambiente maçante pode gerar. Também mudo de lugar o pequeno ser. Também dou bronca e surto eventualmente.

Só que olha o que a professora da pobre da Isabella fez, meu deuzo…

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Não, de boa, alguém acha que aluno que é submetido a isso não vai tirar onda? Mas, jura?!

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Eu não sou professora de educação infantil, ainda estudo bastante coisa sobre Pedagogia. Mas tenho uma estratégia com alunos do Fundamental II: CONVERSA.

Não é uma vez, não são duas. É todo o dia.

AAAAAHHHHH, mas o aluno tem que ser punido…

Eu acho que quem fala isso assiste muito Datena e não sabe muita coisa sobre educação, viu?

Não é de um dia para o outro que a educação acontece. E conversar sobre atitudes erradas dos alunos serve para levá-los a refletir sobre as mesmas. E reflexão não é pilula ou interruptor. Somos humanos, orgânicos… precisamos de tempo.

Sei bem que isto que estou dizendo não é suficiente. Em salas de aula lotadas, tendo por ferramentas giz e lousa, com alunos desinteressados e numa carreira desvalorizada é complicado tomar ar e lidar com conflitos vindos de alunos. Mas não devemos agir como carcereiros ou domadores de leões, é com gente portadora de direitos e deveres que lidamos como professores e essa é a premissa fundamental de qualquer ação.

 

Professora Invertida