‘O que vão pensar em Pernambuco?’: O professor e seus preconceitos

Estava passeando por aí quando um amigo querido compartilha um vídeo da página Pedagogia do Oprimido.

Paulo Freire, no trecho dessa aula, reflete sobre como ele percebeu em si uma reação machista e discriminatória quando um professor da Tanzania andou de mãos dadas com ele no campus universitário daquele país. A autorreflexão que ele se propõe é chave a qualquer educador. No caso, ele se perguntou se se sentiria tão incomodado se uma mulher, ao invés de um homem, lhe tivesse dado a mão daquele jeito. 

Professores e alunos são passíveis de escrotidões machistas, racistas, xenófobas, etc.. Nascemos em uma sociedade inundada de valores que reproduzem este tipo de coisa.

O que vão pensar em Pernambuco?

O que meus pais vão pensar?

O que meus amigos vão dizer de mim? 

O que Paulo Freire, na sua experiência pessoal propõe é um profundo questionamento de condicionamentos sociais.

Se fosse uma mulher a dar as mãos comigo, eu me incomodaria?

Seu eu quisesse ser engenheiro ao invés de bailarino, será que causaria o mesmo incomodo?

Se eu namorasse uma menina branca ao invés de uma negra, será que eu iria me incomodar com a opinião dos meus amigos?

São questões de ordem pessoal que revelam muito sobre nós. Na sala dos professores eu mesma já me contestei e contestei colegas propondo questões parecidas.

Será que eu reprovaria esse aluno se ele não fosse negro?

Eu acredito que a afetividade e sexualidade das meninas influem em seu rendimento escolar. Eu penso o mesmo em relação aos meninos?

Eu diria que um aluno que vai mal nos estudos vai ser tornar  prostituta ou traficante se esse mal aluno fosse de uma escola privada?

Questionamentos que podem ser incômodos ou libertadores, dependendo da abertura que se tem para mudar, para crescer, para melhorar.

 

Professora Invertida