Pensar Portugal para além da colonização

Há algo de interessante no ensino de História no Brasil: o desaparecimento de Portugal no conteúdo do ensino fundamental e médio após o estudo da independência. Eventualmente se trata da imigração de portugueses no período entre 1870 e 1930 – especialmente para o estado do Rio de Janeiro – mas nada além disso.

 

Acredito que o mais emblemático seja o como a República Velha brasileira influenciou a instauração da I República Portuguesa, mas não só. Para começar a solucionar esse furo na formação dos professores de História no Brasil, separei algumas sugestões iniciais para um mergulho bacana no Portugal contemporâneo. Espero que ajude 😉

 

Máquina de Fazer Espanhóis, de Valter Hugo Mãe

Este livro narra a história de António Jorge da Silva, um barbeiro que acaba de completar maq_espan_0284 anos. Depois de perder a mulher, é entregue a um asilo. Sozinho, mas sem sucumbir ao pessimismo, num mundo cuja metafísica parece ter sido subtraída, Silva se vê obrigado a investigar novas formas de conduzir sua vida. Ele que viveu sob o peso de Salazar, nos tempos em que as ditaduras regiam tudo, coloca o passado e suas ações em perspectiva, não sem notar que o pessimismo sobre o papel do país no mundo exacerbou-se ainda mais. Portugal se transformou numa máquina geradora de sentimento de inferioridade, uma máquina especializada em produzir entre os nascidos no país a vontade de deixá-lo. (livraria cultura)

Tabu, de Miguel Gomes

Na minha singela opinião, um dos melhores filmes desta década. Fundamental para entender Portugal e seu falido império colonial do século XX. Retirei a sinopse do site O som e a Fúria.Uma idosaimage_137 temperamental, a sua empregada cabo-verdiana e uma vizinha dedicada a causas sociais partilham o andar num prédio em Lisboa. Quando a primeira morre, as outras duas passam a conhecer um episódio do seu passado: uma história de amor e crime passada numa África de filme de aventuras.

 

 

Fado Tropical, de Chico Buarque

Dúvidas sobre as relações entre Brasil e o Portugal contemporâneo? Deixa Chico Buarque de explicar uma coisinha.

 

A Revolução dos Cravos, de Lincoln Secco

Em 1974 um movimento militar de esquerda derrubou uma das mais48364941_1 reacionárias ditaduras no século XX, a portuguesa. A revolução daquele abril, a última alimentada pelo discurso socialista na Europa, ganhou rapidamente o nome de Revolução dos Cravos, graças às mulheres que distribuíam, desde o seu início, flores para os soldados. Narrando e analisando os principais eventos do processo que mudou os rumos da história de Portugal, Lincoln Secco mostra como só é possível explicar um movimento revolucionário a partir de uma perspectiva de longa duração(livraria cultura)

Equador, de Miguel Sousa Tavares

No começo do século XX, Luis Bernardo Valença, conhecido intelectual português, é convidado pelo rei Dequador_capa. Carlos a executar uma missão descabida e complicada, que implicará numa abrupta mudança de sua vida. Solteiro e perto dos quarenta anos, ele desfruta das regalias que uma cidade grande como Lisboa tem a oferecer. Aceitar o convite do rei significa abandonar tudo por uma vida nova, na qual, entretanto, poderia colocar em prática suas convicções políticas: contribuir para a efetiva abolição da escravatura na África, assumindo o papel de governador de São Tomé e Príncipe. Mais de um século depois de abolida a escravidão em Portugal, ainda sobram dúvidas se de fato os trabalhadores são empregados e bem tratados. É mesmo difícil esclarecer o limiar entre o trabalho escravo e o assalariado. Muitas vezes, sobretudo em pequenas colônias perdidas no meio da África, um homem que tem contrato assinado pode, mesmo assim, continuar a receber chicotadas de quem não sabe se deve chamar de “senhor” ou de “patrão”. Equador, primeiro romance de Miguel Sousa Tavares, publicado em 2003, trata justamente dessa complexidade política e da dificuldade de definir na prática aquilo que parece claro nos conceitos e na teoria. Mais do que isso, este livro fala das paixões humanas e de como elas interferem nos jogos de poder. (…) (livraria cultura)

Capitães de Abril, de Maria Medeiros

Este poético filme trata da história da Revolução dos Cravos, que derrubou o Estado Novo português.Capitaes-de-Abril.jpg

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O pequeno livro do grande terramoto. Ensaio sobre 1755, de Rui Tavares

Rui Tavares, escritor e historiador, efetua de forma simples e objetiva uma análise ao terramoto de 1755 e o impacto que o mesmo teve, não só na vida social e cultural portuguesa, como também, e demonstrando uma grande capacidade de análise, em todo o mundo. (goodreads)