Proatividade é para quem pode e não para quem quer

Eu sempre rio muito alto quando aparece o discurso feito de que devemos ser inovadores e proativos. Isso porque a maior parte dos gestores são, na verdade, chefes, como chefes, exigem obediência e não pensamento, ação, inovação.

Na escola, esta relação se reproduz nos diversos diretores-chefes que se preocupam apenas com ordem, nos seus dois sentidos possíveis:

obediencia_cega

1. relação inteligível estabelecida entre uma pluralidade de elementos; organização, estrutura.

2. série de pessoas ou coisas que se sucedem ou se dispõem umas após as outras; sucessão, fileira, renque.

Esses diretores-chefes querem alunos quietos, imóveis, sentados em fileira como plantas que usam mochila. Esses mesmo diretores-chefes pensam o papel do professor como o de cuidar do aluno-planta dentro da sala, fazendo o possível para mantê-los enfileirados, quietos e em ordem.

O diretor-chefe, claro, se vê envolto a uma realidade que não obedece à ordem alguma, pois – e fico feliz com issmarcelao – as relações entre humanos são mais caóticas do que essa botânica irreal da sala de aula ideal.

Acredito que não haja caminho possível para educação enquanto a lógica do chefe continuar a se sobrepor à vontade de construir uma escola verdadeiramente democrática. Inovação, proatividade, etc. são consequência de profissionais em educação motivados, com voz e com o sentimento de que são sim parte integrante da escola. E, claro, alunos – estudantes!- motivados, compromissados com sua formação e atuantes nas suas escolas apenas existem quando não se espera deles um comportamento, ahn, floral. 😉

Professora Invertida